Bolsonaro conquista eleições do Brasil. O guia do sistema brasileiro

Jair Messias Bolsonaro é o novo presidente do Brasil, tendo sido eleito na noite de 28 de outubro, com 55% dos votos, o que corresponde a mais de 53 milhões de eleitores. A vitória de Bolsonaro põe fim a quatro mandatos consecutivos do Partido Trabalhista.

Bolsonaro conseguiu mais 11% do que o seu adversário na segunda volta, Fernando Haddad, conquistando assim um lugar no Palácio do Planalto. Na reação à vitória, o candidato do Partido Social Liberal, disse que, “esse governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é um juramento a Deus. A verdade vai libertar esse país e vai ser o farol que vai seguir iluminando o nosso caminho. Hoje foi a celebração de um país pela liberdade”.

Na reação à derrota, Fernando Haddad, o delfim de Lula da Silva, garantiu que, “não vamos deixar esse país para trás. Não vamos de deixar de colocar o nosso ponto de vista sobre tudo o que está em jogo no Brasil nesse momento”, acrescentando que “daqui a quatro anos vamos ter novas eleições. Não vamos deixar a nossa cidadania. Talvez esse país nunca tenha precisado tanto da cidadania como agora”.

Numa noite em que vários Chefes de Estado reagiram já à vitória de Bolsonaro (entre eles, Donald Trump), também já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou uma mensagem ao recém-eleito presidente do Brasil, onde ” fez referência aos laços de fraternidade que unem Portugal e o Brasil e à significativa comunidade de portugueses e lusodescendentes residentes no Brasil, bem como à cada vez mais importante comunidade brasileira no nosso País”.

Como funcionam as eleições brasileiras?

No primeiro domingo deste mês, dia 7, quase 120 milhões de brasileiros foram às urnas decidir os representantes políticos para os próximos quatro anos – no caso do Presidente, Governador e Deputados – e oito anos na representação do Senado. No país onde o voto é obrigatório, a abstenção superou os 25 milhões na primeira volta.

A hierarquia política

O Brasil é constituído por 26 estados e uma unidade federativa (Distrito Federal). Cada um desses estados elege um representante comum para a presidência e localmente um para o Governo do estado. Para compor o executivo nacional, cada estado tem direito a duas cadeiras no senado e há uma repartição das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados distribuídas proporcionalmente ao número de eleitores de cada estado. Para compor o governo estadual (de cada estado), os eleitores elegem o Governador e os deputados estaduais.

As redes sociais e as fake news

“Esta foi a primeira eleição da internet”, referiu Flávio Bolsonaro em entrevista à RTP, no dia 10 de outubro. O candidato destacava a importância das redes na comunicação da campanha do pai, candidato à presidência, através de um “trabalho incansável na internet” e com o apoio de “milhares de voluntários” nas redes sociais.

O papel da internet nas eleições brasileiras foi questionado após o jornal Folha de São Paulo levantar a suspeita de que um grupo de empresários brasileiros estaria a financiar a propagação de fake news a partir da aplicação de mensagens WhatsApp. O Tribunal Superior Eleitoral do Brasil (TSE) referiu, em conferência de imprensa após a divulgação da notícia, que “não houve falha” no combate às notícias falsas.

Sondagens falharam

Dilma Rousseff, afastada da presidência do Brasil em 2016, liderou nas sondagens na corrida ao Senado pelo estado de Minas Gerais até à data das eleições de 7 de outubro. Minutos depois do encerramento das urnas, as pesquisas à «boca da urna» indicavam um cenário alternativo às sondagens: Dilma Rousseff aparecia em quarto lugar na luta pelas duas cadeiras, facto comprovado após as apurações da contagem dos votos.

Foi em Minas Gerais também que as sondagens falharam nas previsões para o Governo do estado. Romeu Zema, do partido estreante NOVO, ocupava o terceiro lugar e tinha 18% nas vésperas das eleições, mas foi o candidato com mais votos e chegou à segunda volta, tendo ambos sido eleitos governadores.

No Rio de Janeiro, os números das sondagens também foram contrariados com os resultados apurados. Wilson Witzel, que ocupou os últimos lugares durante a campanha, foi o mais votado para gerir o estado do Rio, mas sem maioria absoluta.

O crescimento do Partido Social Liberal

O PSL foi o partido com o maior crescimento no poder legislativo brasileiro, siglas como o MDB, o PSDB e o PT perdem assentos parlamentares a partir de janeiro de 2019. Em 2014, por exemplo, o partido do candidato Jair Bolsonaro elegeu um deputado para a Câmara dos Deputados, em Brasília. Após apurados os votos das eleições deste ano, o PSL surgiu com a segunda maior bancada da Câmara e elegeu ainda quatro senadores. “Ninguém acreditava que um partido com oito segundos [de tempo de televisão] e sem fundo partidário fizesse uma bancada de 52”, referiu o candidato Jair Bolsonaro num dos últimos vídeos publicados antes do fim da campanha.

Janaína Paschoal (PSL), que participou a favor do impeachment de Dilma Rousseff, foi a deputada estadual mais votada na história do Brasil, eleita pelo estado de São Paulo com mais de dois milhões de votos. Os dois filhos do candidato do PSL que concorriam a um lugar em Brasília foram eleitos: Eduardo Bolsonaro, eleito para deputado federal, foi o mais votado na história do país e Flávio Bolsonaro contou com mais de quatro milhões de votos e foi eleito senador.

Descomplicador:

Jair Bolsonaro conquistou as eleições presidenciais do Brasil com 55% dos votos, derrotando Fernando Haddad, o candidato do PT, de Lula da Silva. Na reação à vitória, Bolsonaro disse que, “esse governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é um juramento a Deus. A verdade vai libertar esse país (…)”.

Miguel Dias com Isabella Moura

Publicado por: Panorama

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