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Bloco Esquerda

1.º – Vamos começar pelo princípio. O Bloco de Esquerda é um partido relativamente jovem. Foi criado em 1999 por Francisco Louçã, Miguel Portas (sim, o irmão de Paulo Portas, o líder do CDS-PP) e Fernando Rosas. Resultou de uma aliança de vários movimentos e partidos da esquerda radical: Política XXI, União Democrática Popular e o Partido Socialista Revolucionário (existiram outros, mas estes foram aqueles com maior destaque.) Não se identificava com o PCP nem com o PS. O seu eleitorado caracterizava-se por ser jovem, da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgénero).

2.º – O BE caracteriza-se pela luta contra o capitalismo e o conservadorismo, bem como pelos direitos das mulheres e LGBT, minorias étnicas e meio ambiente. Algumas das suas propostas foram a legalização da produção e consumo de canábis, a co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo, a despenalização do aborto e a Lei de Identidade de Género (que permitiu a transexuais poder alterar o nome e o sexo no registo Civil). Em 2013, os bloquistas apresentaram uma proposta para acabar com os piropos.

3.º – A primeira vitória significativa do BE foi nas eleições legislativas de 1999: foram eleitos dois deputados. Contudo, foi em 2009 que o partido bateu o seu recorde: o número de oito deputados na Assembleia da República passou para 16. Nesse ano O Bloco teve 9,4% dos votos (ficou à frente do PCP e quase, quase que chegava aos 10,7% do CDS-PP).

4.º– Durante doze anos, o BE conseguiu manter uma única autarquia: a de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém. Ana Cristina Ribeiro esteve no poder pelo Bloco durante doze anos.

Miguel Portas5.º – Já deve ter reparado que, nos últimos tempos, se vive uma crise no Bloco. Porquê? Bom, por várias razões, mas, primeiro que tudo, é preciso recuar a 2011: ano de eleições legislativas. Nesse ano, o BE perdeu metade dos deputados (tinha 16, ficou com oito) que tinha conquistado na Assembleia e conquistou apenas 5,2% dos votos. No mesmo ano, Francisco Louça, coordenador nacional do Partido, recusou participar nas negociações com a Troika. Essa atitude valeu-lhe fortes críticas por parte de Ana Drago, um nome forte dentro do partido.

2012 não tratou melhor o BE: em abril morreu Miguel Portas, um dos seus fundadores, e, meses mais tarde, Francisco Louçã anunciou que ia deixar a liderança do Partido.

6.º – Em novembro de 2012, João Semedo e Catarina Martins foram os sucessores de Louçã, sendo, assim, o rosto de uma nova estratégia: a liderança bicéfala, algo inicialmente proposto por Miguel Portas. Essa iniciativa, contudo, não foi bem vista dentro das várias correntes que formavam o Bloco.

7.º – Foi, principalmente, depois da derrota eleitoral de 2011, que várias figuras importantes do partido começaram a abandoná-lo: Rui Tavares, (os motivos da sua saída estão relacionados com conflitos com Francisco Louçã) e, mais tarde, Daniel Oliveira (por não concordar com a liderança bicéfala nem com a estratégia política bloquista. Em Julho de 2014, Ana Drago, um nome muito sonante do BE, anunciou a sua saída do Bloco, alegando divergências políticas.

8.º – Em novembro de 2014, João Semedo pediu para abandonar a direção do partido e Catarina Martins passou a ser a única coordenadora nacional do Partido.

9.º -Apesar da recente vitória do Syriza na Grécia e da ascensão exponencial do partido político Podemos, em Espanha, o mesmo resultado não se espera em Portugal, onde as intenções de voto em partidos de esquerda (onde o BE está incluído) não ultrapassam os 15%.

Catarina Martins

Descomplicador:

O Bloco de Esquerda é um partido político recente, com 16 anos, e pretende ser, dentro do universo da esquerda, uma alternativa ao PS e ao PCP. Contudo, nos últimos anos, com a saída de vários nomes de peso, tem sido confrontado com algumas divergências internas.

xbtmuc@imgof.com'
Publicado por: Maria Cardoso

Existem 4 comentários a este artigo
  1. adrianomonteiromail@gmail.com'
    Adriano Jorge Monteiro at 15:09

    As pensões mais baixas tiveram uma subida muito frágil “uma agulha no palheiro” face ao nível de vida em que vivemos.
    O desemprego baixou mas, porque estamos numa época sazonal onde existem mais empregos e a durabilidade dos mesmos é directamente proporcional ao adjectivo, o que de muito pouco nos vai valer o que é mais do mesmo quando do menos é o que se sabe e so mais é dizer tudo o que sei pela 1/2 que ignoro.Milhares de licenciados á procura de emprego, resta-lhes que a concorrência (Alemanha,Inglaterra e outros, os venham contratar), quanto custa um licenciado ao contribuinte português,novinho em folha e sem vícios?E, o que fazemos depois com eles? Emigra e chuchamos no dedo com os bolsos mais vazios, sempre fomos mãos largas, demasiado largas, mais para os de fora do que para os de dentro.
    O caminho a percorrer é oneroso mas exequível. Quanto ás vossas alianças “o inimigo do meu inimigo meu amigo é”quando assim não o é relembro uma velha frase que diz”Roma não paga a traidores” .
    Há muita pedra para partir, mexam-se..

  2. orbaldo@gmail.com'
    Sérgio Nuno Gomes Ferreira at 22:33

    Assunto: Reforma Anticipada Desemprego. Exemplo pessoal: Tenho 61 anos e quando acabou o subsídio desemprego e sem rendimentos foi ” forçado ” a pedir a Reforma Anticipada em Julho de 2017 sujeito a uma penalização de 32%, parece, pelas notícias, mais mês menos mês essa penalização acaba. O meu pedido é que façam tudo para ser uma realidade com retroativo por Ex: Janeiro de 2017.
    Obrigado e conto com vocês.
    Cumprimentos
    Sérgio Nuno Gomes Ferreira

  3. irenedamaso@hotmail.com'
    Irene Pinho at 19:47

    Mais uma vez venho lembrar a situação dos desempregados de longa duração, que sem alternativa foram penalizados com o factor de sustentabilidade em 2015 e, não só. Já que não puderam alterar a Lei porque Lei não se pode mudar com retroactivos para os injustiçados, pensem noutra solução e dêem-lhe outro nome como por exemplo: Compensação, correcção, aditamento e outros por ai fora! Mas façam justiça p.f., nós somos Portugueses e também é um DIREITO nosso, não estamos a pedir nada que não tenhamos direito, descontamos para isso!!! Iguais aos abrangidos por a nova Lei da reforma em 2018, que não vão ter penalização.
    Estamos sempre à espera de ouvir nas notícias sobre a nossa situação para o orçamento de Estado de 2019,não deixem este assunto por resolver, não se conformem com o que não é justo, lutem para que justiça seja feita.
    Nota: Porque o governo a trabalhar como está, não pode haver puder de compra, não pode haver natalidade etc. trabalhamos para uma reforma justa e, acabamos quase com uma miserável, se nada fizerem por nós que tristeza!
    Sem outro assunto de momento atenciosamente

    • adrianomonteiromail@gmail.com'
      adriano monteiro at 13:44

      Acabou de falar com uma empresa de nome Bloco de Esquerda.
      Nem sempre as empresas tem resposta aos problemas de seus funcionários.
      Os partidos são empresas, prometem, enchem-nos de esperança parecem serem justos mas, depois são mais uma desilusão, procuram dar o que não têm e, não dão, tudo para garantir a alguns ( a clientela), em detrimento de quem mais precisa .
      Quando se vota num partido , para além do custo de cada voto, vota-se no abstrato, em alguém que não se conhece nem nos conhece esta é a verdade, todavia cada um tem a sua própria verdade,é assim não pode ser de outra maneira ou se é prego ou martelo, a vida não nos deixa outra margem de manobra

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